Tópicos
– O cliente mudou. O produto ainda não.

– O que dizem os números dos operadores europeus
– Portugal tem 18% de ginásios com wellness. Os EUA têm 90%.
– O que o sócio sente e não esquece
– O cardio liberta espaço para o que paga mais
– Um aviso que poucos fazem
– Para terminar

43% das pessoas que vão ao ginásio fazem-no para gerir o stress.
E só 18% dos ginásios portugueses têm qualquer zona de recuperação ou wellness para lhes responder. 

O cliente mudou. O produto ainda não.
Em 2021, as pessoas iam ao ginásio para perder peso e ganhar músculo.
Em 2026, vão para gerir o stress, dormir melhor e sair de lá a sentir-se humanos outra vez.

O relatório global da Les Mills (10.000 consumidores em cinco continentes, abril de 2026) é inequívoco: a motivação “bem-estar mental” cresceu 29% em cinco anos.

Isto traduz-se numa mudança no que o teu ginásio vende e na comparação que o potencial sócio faz quando está a decidir.

O teu concorrente direto já não é só o ginásio da esquina. É o estúdio de pilates, o grupo de corrida, a app de meditação. Qualquer espaço que responda à necessidade de saúde mental que o ginásio tradicional ignora.

O que os números dos operadores europeus dizem
A diferença de receita entre ginásios com e sem wellness não é marginal. Os operadores europeus que integraram zonas de recuperação cobram entre duas a quatro vezes mais por mensalidade do que os que ficaram só nas máquinas.

“O que vejo no terreno é um mercado europeu em transição. O cliente já não procura apenas treinar mais, procura recuperar melhor, dormir melhor, gerir melhor o stress e sentir-se melhor. O wellness deixou de ser um complemento estético ao ginásio e está a tornar-se parte do próprio modelo de negócio.

Isto muda a forma como os operadores devem pensar os seus espaços. Já não basta ter uma boa zona de treino. É preciso criar uma experiência mais completa, onde performance, recuperação, saúde e bem-estar trabalham em conjunto. Quem perceber isto agora vai estar melhor posicionado para diferenciar a sua oferta, aumentar a perceção de valor e responder a uma procura que está claramente a crescer nos próximos anos.”

Rui Pereira – Diretor de operações da Geometrik

Portugal tem 18% de ginásios com wellness. Os EUA têm 90%.
O Barómetro do Fitness Portugal Activo 2024 (AGAP, maio 2025) é claro: 1.282 ginásios, 780.130 sócios, €345M de faturação. Mensalidade média de €38/mês, com o segmento premium nos €93,8.

Mas só 18% dos clubes têm sauna, jacuzzi ou banho turco e apenas 12% têm qualquer oferta de spa ou wellness.

Em Espanha, o CEO da Fit4Life disse à CMD Sport o que resume o mercado ibérico inteiro: “Nos EUA, 90% dos centros têm zona de recuperação. Na Península Ibérica, as máquinas de cardio que antes da pandemia representavam 60% do equipamento são hoje 40% — e o espaço libertado começa a ser ocupado por recuperação.”

Quem avança primeiro fecha uma janela que, dentro de dois ou três anos, já não vai existir.

O que o sócio sente e não esquece
Quem treina num ginásio com sauna, jacuzzi e zona de recuperação durante alguns meses muda o que considera aceitável.
Quando muda de ginásio, procura o mesmo. E um espaço só de máquinas já não chega.

“Estou à procura de um ginásio novo perto de casa, numa nova cidade. Depois de ter treinado durante dois anos num espaço com sauna, jacuzzi e piscina interior, o critério mudou. Vejo as máquinas, vejo as aulas  e nenhum espaço vai para além disso. Não se vê esta integração com zonas de bem-estar e saúde. Essa oferta simplesmente não existe.”

Milton Almeida – Colaborador Geometrik

O cardio liberta espaço para o que paga maisA zona de cardio ocupa entre 30% e 45% da área útil de um ginásio europeu típico. A utilização real fica entre 5% e 15% das horas de abertura.

O cálculo concreto: uma passadeira de €6.000 não gera receita direta: está incluída na mensalidade que já cobras.
Os mesmos metros quadrados com uma zona de wellness vendida como add-on a €30–50/mês, com adesão de apenas 10% de 500 sócios, geram entre €18.000 e €30.000 de receita adicional por ano: sem um único sócio novo.

Um aviso que poucos fazem

Só 24% dos sócios de ginásio alguma vez usaram o equipamento de recovery disponível no seu clube, mesmo quando existe.

Sem programação, onboarding e uma narrativa clara, qualquer zona de recovery fica vazia. O espaço tem de ser pensado para funcionar:  fluxos entre zonas, pavimento adequado a áreas húmidas e secas, acústica.
Tudo isto define se o investimento converte ou se fica bonito para a foto.

É aqui que trabalhamos com os ginásios: no ponto onde a decisão de investimento se cruza com o que o espaço permite fazer.

Para terminar

O mercado ibérico tem 72 pontos percentuais de distância para o benchmark americano em penetração de wellness. Os ginásios que fecharem essa distância primeiro vão cobrar mais, reter mais e atrair um perfil de sócio diferente. Os que ficarem só nas máquinas vão continuar a competir pelo mesmo sócio que o low-cost já conquistou por €23 por mês.